Batendo um papo com Drummond
O Rio de Janeiro continua lindo, pessoal ! E não poderia, claro, deixar de compartilhar um momento especial com Drummond.

O Rio de Janeiro continua lindo, pessoal ! E não poderia, claro, deixar de compartilhar um momento especial com Drummond.

“A ideia é como uma fruta. Você não colhe uma manga verde. Tem que ter paciência. De repente a manga cai na sua mão” (Lygia Fagundes Telles, ao falar ao Jornal Folha de SP de 21/08/2010 sobre um conto que está preparando).
Como precisamos aprender com as pessoas mais experientes!
A programação da Bienal do livro está simplesmente ótima!
Confiram no site http://www.bienaldolivrosp.com.br
Escrever e ler representam uma tortura para algumas pessoas. Comumente ouço clientes ou amigos me dizerem: “eu sofro todas as vezes que preciso produzir algo”, “eu detesto ler”, “escrever é muito difícil”. Algumas pessoas até temem as letras, sentem pavor quando estão diante de um texto. É para tais pessoas que gostaria de falar agora.
Por mais que alguns detestem ler e outros sintam angústia ao escrever (as origens são diversas), todos se interessam por algo. Uns por esportes, outros por artes, alguns por política, outros por educação ou saúde. Por que, então, não começar a desenvolver o prazer pela leitura a partir de seus interesses particulares? Podemos descobrir que gostávamos, sim, de ler, só não tínhamos descoberto bons autores… aqueles que nos fazem rir diante de um texto, refletir e pensar, “encontrar um tesouro” ou viajar. Quantas aventuras podemos ter enquanto lemos! Um dia desses, passeando por uma livraria na capital paulista, vários títulos me chamaram a atenção, peguei um para ler… pedi um café… Que viagem… dava gargalhadas sozinha. Que bom foi rir sem me importar com nada! De vez em quando eu erguia os olhos para pensar no que havia lido e reparava que algumas pessoas olhavam para mim com aquele olhar curioso… de que estavam doidinhas para saber o motivo de tanto riso. Acho que queriam rir também. Posso contar os motivos para os meus leitores.

O título do livro era “Comédias para se ler na escola”, de Érico Veríssimo, um livro que é, nas palavras da organizadora Ana Maria Machado, “puro prazer”, “um jardim de delícias”. Certamente seu sabor pela leitura será outro após o contato com este livro. Para não dizer que estou mentindo, segue uma dessas gostosuras contidas na obra:
SEXA
- Pai…
- Hmmmm?
- Como é o feminino de sexo?
- O quê?
- O feminino de sexo.
- Não tem.
- Sexo não tem feminino?
- Não.
- Só tem sexo masculino?
- É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.
- E como é o feminino de sexo? More
Charge de J. Bosco,
Jornal O liberal
Conforme combinamos, segue reescrita do texto inserido no post anterior. Notem as diferenças entre eles.
No próximo dia 22 de março, data em que se comemora o dia mundial da água, vamos promover um movimento contra o uso indevido desse bem natural. Conheço um ativista cujas palavras convencem a todos. Ele nasceu em uma região em que havia escassez de água. Por isso, hoje ele luta pelo adequado uso da água, que é um bem precioso. Vamos convidar esse ambientalista a quem muito devemos.
1. O que você acha da escrita do texto a seguir?
No próximo dia 22 de março, comemora-se o dia mundial da água; nessa data 22 de março vamos promover um movimento contra o uso indevido desse bem natural. Conheço um ativista. As palavras desse ativista convencem a todos. Ele nasceu em uma região. Nessa região havia escassez de água. Por isso, hoje ele luta pelo adequado uso da água. A água é um bem precioso. Vamos convidar esse ambientalista. Devemos muito a esse ambientalista.
Um texto como esse é resultado da ausência de pronomes relativos (que, cujo, a quem etc), imprescindíveis nos textos. Reescreva-o de maneira que a inserção dos conectores dê um outro aspecto ao texto.
Daqui uns dias postarei a resposta!!!
Há o hábito de pensar que se entra numa
biblioteca para procurar um Livro.
Não é verdade. Sim, por aí se começa, mas o
que na realidade se busca é a aventura.
Umberto Eco
“Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência a vossa!
Ai, palavras, ai, palavras,
sois de vento, ides no vento,
no vento que não retorna,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!”
Cecília Meireles
“Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável. O país está sendo varrido por fortes ventos. Máxima de 38º, em Brasília“.
Pelo que conhecemos da leitura de jornais, que tipo de notícia é esta? Informação sobre o clima, certo? Errado. Só parece!
No dia 14 de dezembro de 1968, durante a ditadura no Brasil (1964-1985), foi anunciado o Ato Institucional núm. 5, que representava um endurecimento do regime militar. O Ato conferia enormes poderes ao Executivo, decretava o recesso do Congresso Nacional, proibia manifestações políticas e colocava fim à liberdade de imprensa.
Assim, o jornal do Brasil arriscou uma primeira página corajosa na edição de 14/12/68, conseguindo burlar a censura (Mayrink, 2008)*. No lado esquerdo da primeira página, no alto, o quadradinho trazia o texto que foi apresentado no início deste post. Fantástico o que podemos fazer com a linguagem. Podemos dizer sem dizer, dizer uma coisa para significar outra… Para o contexto político da época, a informação não tinha nada a ver com o clima.
* Mayrink, J. M. Mordaça no Estadão. São Paulo: O Estado de São Paulo, 2008.