Reescrever é preciso
Olá, pessoal!
Tenho o prazer de postar um texto de Elaine Vallim, professora de língua portuguesa há muitos anos e mestre em Linguística pela Unicamp. O texto trata de um aspecto importantíssimo no aprendizado da escrita: a reescrita.
Muitos autores registraram a dificuldade que sentiam ao escreverem. Olavo Bilac, Pablo Neruda, Graciliano Ramos, Carlos Drummond de Andrade, Guimarães Rosa, isso apenas para citar alguns.
Também temos notícias de que alguns autores demoraram anos para escrever alguns textos. Sempre voltavam neles e modificavam-nos, num processo de criação contínuo.
A escrita é um processo e não um produto, como muitos a tratam. Não há de ter pressa ao aprender a escrever, isso acontece paulatinamente. A reescrita é fundamental, seja escrevendo num outro gênero o mesmo tema, por exemplo, ler uma crônica e depois reescrevê-la como uma notícia de jornal. Ou então reescrever com o intuito de melhorar sempre, há de ter alguma coisinha que se pode melhorar. Ao reescrever há tempo para pensar nas estruturas sintáticas e modificá-las, se necessário. Há tempo para perceber que outra palavra fica melhor do que aquela que foi usada. Há tempo para perceber se o “outro”, o leitor, não vai encontrar dificuldades para entender. Há tempo para observar se há palavras ou ideias repetidas, pode-se ver a ortografia. Enfim, a reescrita é crucial na produção de texto. É por isso que, em toda prova de redação, há uma folha de rascunho. É bom não deixar os últimos minutinhos para “passar a limpo”. É preciso mais, é preciso o olhar atento em busca da frase perfeita.
Elaine Ferraz do Amaral Vallim - elainefamaral@bol.com.br
Wagner diz:
janeiro 14th, 2010 para 6:29 am
Oi, Carla !
Li sua matéria “Reescrever é preciso” e fiquei pensado: normalmente quando faço um texto num rascunho, na hora de passar a limpo mudo quase tudo, se eu passar a limpo novamente, com certeza o texto, também, não será o mesmo. Como fazer isso numa prova, com tempo apertado?
Abraços,
Wagner
Elaine Vallim diz:
janeiro 14th, 2010 para 4:38 pm
Olá, Wagner, a escrita funciona assim, por isso incentivamos sempre a reescrita, porque, dessa forma, o texto pode ser melhorado. Quanto mais praticamos, menos precisamos mudar, porque nos habituamos a alternar os papéis de leitor/escrevente (escrevo, paro, leio e modifico, se necessário). Quando vamos passar a limpo, fazemos as últimas alterações (somente se for preciso) e não devemos mudar o texto inteiro na última hora. Também aconselho você a controlar o horário. Não deixe apenas uns minutinhos para uma questão tão decisiva.
Por isso é importante a prática da reescrita.
Um grande abraço.
Elaine Vallim
Obs.: Estou lhe respondendo, porque a autora de “Reescrever é preciso”sou eu.
Carla Pereira diz:
janeiro 14th, 2010 para 6:08 pm
Oi, Wagner!
A matéria foi escrita pela professora Elaine Vallim. Aliás, ela deixou um comentário para você também.
Abraço. Carla.
Suely Vianna diz:
janeiro 18th, 2010 para 7:43 pm
Carla.
Sou fonoaudióloga e sempre inclui na minha prática clinica a reescrita, que no início causa muita reclamação; eu então a justifico, com os mesmos argumentos usados pela professora Eliane.
Só hoje tive acesso ao seu blog que tem um título maravilhoso, pois ler nas entrekinhas é fundamental e depende da nosso mapa de mindo,que nos dias atuais se renova a cada dia. Vou usar algumas das charges nas minhas sessões.
Parabéns pelo seu trabalho e competência.
Um abraço.
Suely