Escrever: trabalho de molhar, lavar, torcer, molhar novamente…

janeiro 9th, 2010 por Carla Pereira

Há algum tempo postei o texto a seguir, de Graciliano Ramos. Em atenção aos candidatos que estão se preparando para prova dissertativa da Receita e de outros concursos, não poderia deixar de postá-lo novamente! Aliás, foi uma candidata que sugeriu o replay. Obrigada pela sugestão!

 

Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxaguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.

Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.

Graciliano Ramos.

Pois é, candidato, escrever é uma atividade que, por demandar intenso trabalho da linguagem e do cérebro, requer labor. Não queira escrever para ficar livre da obrigação de produzir determinado texto. Agir assim é correr o risco de “dependurar uma roupa suja no varal”. Por isso, trabalhe, desenvolva o hábito de parar e pensar… pensar… escrever… apagar… reescrever… Lembre-se: produzir bons textos não é como fabricar um produto acabado; estamos constantemente aperfeiçoando tal habilidade.

Shakespeare dizia que paciência requer prática. Para mim, escrever requer paciência e prática… muita prática. É dessa forma que tenho visto progressos nos textos das pessoas que atendo.

 Grande abraço a todos os trabalhadores!!!