Prova dissertativa da RF: sugestões e atendimentos individuais

janeiro 6th, 2010 por Carla Pereira

“Carla, o que a banca espera que eu faça?”, “como vou estudar para esta prova?”. Essas são algumas perguntas feitas a mim por candidatos que, provavelmente, serão convocados para a segunda fase do concurso da Receita. Por isso, como profissional da linguagem, deixo aqui algumas sugestões para estudo.

 

O QUE SE ESPERA DE UM TEXTO DISSERTATIVO?

De fato, há diferenças entre estudar para uma prova objetiva e uma dissertativa. Na primeira, é comum que os concurseiros façam um curso teórico e resolvam muuuuuiiiitos exercícios. Há um conteúdo enorme para ser aprendido e outro maior ainda para ser decorado, eu acho; em matérias como Economia, por exemplo, é possível aprender a resolver questões de prova sem sequer saber falar sobre determinado aspecto da economia do país. Muitos concurseiros até dizem que o negócio é “aprender a fazer o ‘xis’ no lugar certo”. 

Mas, agora, para serem aprovados, além de fazerem o ‘xis’, os concurseiros também precisarão defender um ponto de vista a respeito de algo, discutir um tema, falar sobre, isto é, terão que escrever uma dissertação. E o que se espera de um texto dissertativo? 

Em uma dissertação, deve-se defender uma tese, ou seja, organizar dados, fatos, ideias*, enfim, argumentos em torno de um ponto de vista definido sobre o assunto em questão. Uma dissertação deve, na medida do possível, concluir algo. Portanto, não tem cabimento ficar simplesmente elencando argumentos favoráveis ou contrários a determinada ideia* (Comissão de Vestibular da Unicamp).

Vocês me dirão: “tudo bem, Carla, mas COMO podemos construir um texto que seja uma dissertação? Conhecer a estrutura básica de uma dissertação não nos habilita a escrever um bom texto dissertativo, certo? Corretíssimo! É importante sabermos o que é um texto dissertativo, conhecermos suas partes etc., mas a boa elaboração requer PRÁTICA e constante intervenção/FEEDBACK de um leitor. Vou explicar melhor o que é isso.

 

CONHECER, ESCREVER E REESCREVER VÁRIAS VEZES

(clique em “more” para continuar lendo o post)

Tendo em vista que escrever é uma atividade complexa, que só se aprende escrevendo, não há receitas, gramáticas ou manuais que possam ajudar as pessoas nisso. Para você APERFEIÇOAR seus textos para a segunda fase do concurso (digo aperfeiçoar porque quem tem muitas dificuldades com a escrita não conseguirá resolver este problema em três ou quatro semanas), será importante:

  1. Conhecer a estrutura básica de um texto dissertativo (você poderá ver ao final deste post);

  2. Conhecer aspectos envolvidos na produção de um bom texto: seleção e organização das informações, coesão e coerência, argumentação etc. Vale ressaltar que conhecer aspectos teóricos sobre a produção de textos é importante, mas, em função do tempo, sugiro que sejam trabalhados durante o processo de produção e reescrita. Como assim? Quando trabalho o texto dissertativo de um candidato, tomo o cuidado de conhecer os aspectos textuais que estão bons e aqueles que precisam ser trabalhados. A partir da primeira versão, o candidato passa a receber textos acessórios, conforme sua real necessidade, tornando prática e teoria uma via de mão dupla. Quando o assunto é escrita, não dá para generalizar e pensar que todos os candidatos estão no mesmo nível de experiência com os textos.

  3. Atividade de escrita e reescrita - não basta você eleger 10 ou 20 temas, escrever uma dissertação para cada e pronto, trabalho concluído. Após a escrita da primeira versão, é preciso que haja uma LEITURA CUIDADOSA por um bom professor. Um bom professor não simplesmente fará marquinhas em palavras ou frases isoladas, mas levará o candidato a refletir sobre TODO o texto produzido (a partir do sentido daquilo que foi escrito, fazendo comentários etc.), de forma que o escritor entenda o porquê do erro e reescreva de forma adequada. Assim, o professor devolverá o texto ao candidato para que este produza uma segunda versão. É um trabalho de “idas e vindas”, até que você tenha a última versão, pronta para ser “entregue para a banca”.

REQUISITO BÁSICO: TER CONTEÚDO

Outro aspecto relevante é o seguinte: para escrever é preciso ter sobre o que escrever; conteúdo é requisito básico, todos sabem disso. Sendo assim, destaco quatro itens:

  1. A tendência de bancas é inserir um tema que tem relação com o cargo pretendido ou o órgão para o qual se presta o concurso. Por isso, pensando no concurso da Receita, sugiro a leitura também dos Decretos 7.050/09 e 6.641/08 (veja o arquivo ao final do post) e dos textos que circulam no site da Receita (não é por acaso que certas informações [e não outras] circulam). Isso poderá ajudá-los a selecionar o que é importante para a prova.

  2. Tente fazer uma releitura rápida das matérias destacadas no edital para a prova dissertativa e selecione os pontos cruciais de cada uma a partir do edital das provas objetivas. Se possível, levante um tema para cada item selecionado.

  3. Tomando por base provas dissertativas anteriores, observamos que as bancas ora fazem opção por uma pegunta mais abrangente, ora por uma questão pontual. Sendo assim, sugiro que os candidatos levantem temas abrangentes e pontuais.

  4. Neste momento, tente recuperar em sua memória problemas que circulam na sociedade, mas que tenham relação com as matérias estudadas (destacadas no edital para a prova dissertativa) e as atividades da Receita Federal do Brasil.

 

Bem, pessoal, por enquanto é só. Espero ter podido ajudá-los um pouco. Sucesso a todos!

estrutura-do-texto-dissertativo

decreto-7050-e-6641-receita

Atendendo a pedidos, coloco-me à disposição para prestar atendimentos individuais. Estou elaborando uma forma facilitada de atendimento de maneira que o candidato possa escrever e reescrever vários textos. Até amanhã já estará disponível no blog! Os interessados já podem entrar em contato pelo e-mail carla@aescritanasentrelinhas.com.br 

obs: tendo em vista que meu trabalho é personalizado, será necessário limitar o número de atendimentos.