Tem gente que sabe dizer o que quer escrever, mas só consegue dizer; tem gente que escreve para o leitor adivinho; tem aqueles que acham difícil organizar as informações; há ainda os que escrevem, não convencem, e pensam que o texto ficou ótimo; outros tentam impressionar com palavras “difíceis”. É... escrever um bom texto não é fácil. Mas tem gente que aprende a escrever melhor, seja um relatório, projeto, e-mail para tratar de negócios ou um simples bilhete.

Arquivo da categoria Consultoria em Linguagem Escrita

ANALISTA RF: meus parabéns aos aprovados!!!

por Carla Pereira em Consultoria em Linguagem Escrita

Nada mellhor que ser acordada por candidato que quer contar sobre sua aprovação em concurso! Quanta honra! Fiquei feliz demais ao receber uma ligação logo cedo!!! Só um detalhe: o candidato que me acordou subiu quase 1.000 posições após a prova dissertativa! Incrível! Tinha mesmo que me ligar cedo…. podia ser até de madrugada hehehe.

A ele e a todos os que trabalharam sobre os textos, PARABÉNS!!!

Dissertativa para SUSEP e AFT: proposta de atendimentos

FUNCIONAMENTO DOS ATENDIMENTOS

O grande diferencial dos atendimentos que presto é a possibilidade de o aluno reescrever mais de uma vez e independente do número de inadequações que existam em seu texto. Julgo ser importante o aluno conhecer os pontos em que precisa melhorar, independente de suposta nota que possa receber, afinal, não sabemos o rendimento dos demais candidatos concorrentes. E não somente isso: se o aluno não recebe um feedback, “esbarrará” sempre nas mesmas dificuldades.

Funcionará, portanto, da seguinte forma: o candidato escreve sua primeira versão e entrega a mim. Irei corrigir considerando os aspectos textuais previstos no edital. Baseado em tais correções, o aluno passa a reescrever o seu texto (1ª reescrita). Após a 1ª reescrita, entrega o texto mais uma vez a mim, a fim de que eu faça as correções novamente. O texto, então, é devolvido ao aluno para uma 2ª reescrita.

 SOBRE ASPECTOS TEÓRICOS E CORREÇÕES NOS TEXTOS

  • Aspectos teóricos serão trabalhados através de cada versão lida por mim. Por exemplo, se o candidato demonstra dificuldades na argumentação, receberá um texto teórico sobre o assunto, contendo exemplos de textos bons e ruins, bem como exercícios específicos para poder exercitar. Também aprenderá sobre argumentação ao ler as correções, sugestões e comentários meus ao texto escrito. O mesmo valerá para outros aspectos textuais, tais como coesão e coerência, organização da ideias etc.
  • Minha atenção durante as correções estará voltada aos aspectos textuais. Não será julgada a veracidade ou exatidão das informações inseridas pelo candidato.

ENVIO DOS TEXTOS More

Quando a leitura de um ‘E’ faz a diferença

Se você escreve algo para alguém, espera que tal texto seja lido, certo? Parece tão óbvio pensar que a escrita de um texto pressupõe um leitor previsto, não é mesmo? Hoje vou apresentar o relato de uma jovem graduada em Letras, que se “acostumou” com o fato de ter professores - de ensino fundamental, médio e superior - que não liam os textos dela. Confesso que nunca havia parado para pensar no sentimento que se forma dentro de uma pessoa que escreve, mas não tem um retorno de seu “mestre” quanto ao texto produzido. Antes do relato, um breve histórico.

Meu primeiro contato com a jovem formada em Letras aconteceu em um curso que ministrei em uma editora aqui de São Paulo-SP. Nesse curso - entitulado “Desenvolvendo a habilidade de produzir bons textos” -, minha preocupação era fazer com que os participantes escrevessem variados tipos de textos e os reescrevessem após minha intervenção. Cada texto era lido por mim e comentado, por escrito, de forma que o participante pudesse compreender os problemas textuais existentes em sua produção e refazer suas hipóteses. Era um trabalho de idas e vindas, tantas quantas fossem necessárias para termos a última versão do texto. Um trabalho de reflexão sobre a relação entre escrita & sentido, considerando os objetivos visados no texto, o interlocutor, o contexto de produção etc.

Encerrado o curso, a jovem mencionada no início deste post solicitou consultorias individuais. Em nosso primeiro encontro, ouvi o seguinte relato:

“Carla, logo que recebi de volta meu primeiro texto corrigido por você, pensei: puxa, ninguém lê os meus textos. Mas ela parou para ler o meu texto; ela percebeu que este ‘E’ que escrevi fez total diferença no sentido“.

Vídeos no blog: mais dinamismo e interatividade!

Olá, pessoal! Preciso da opinião de vocês.

Penso que a introdução de vídeos no blog pode ser muito interessante. Posso postar vídeos com comentários de questões de interpretação, vídeos com depoimentos de pais a respeito do aprendizado da escrita/leitura de seus filhos, com descrição e análise de algum fenômeno linguístico, sobre alguma experiência vivida nas consultorias que presto etc. Puxa, podemos até ter entrevistas com linguistas, fonoaudiólogos com formação em linguística e profissionais da área.

Acho que isso pode estreitar muito o nosso contato… vai ser como ver vocês… como tê-los bem perto. Que prazer!

Gostaria de saber a opinião de vocês a respeito. Gostaram da ideia? Querem sugerir algo?

Um desabafo e uma esperança - parte II

… continuação da parte I

Escrever ainda não é confortável e prazeroso, mas, sem dúvida, hoje é mais do que ontem. Continuo utilizando inúmeros contratempos para procrastinar o momento da escrita. Por quê? Qual o sentimento que aparece nessas situações? Sentimento de incapacidade….falta de criatividade… falta de imaginação….palavras que desaparecem…

Depois de compreender o incrível processo da escrita, pude concluir que escrever um bom texto realmente não é fácil; temos que partir de reflexões profundas sobre o que se pretende escrever e organizar as informações de forma coerente. Fico feliz por ter conquistado tal etapa. Agora é pensar, escrever e reescrever!!!”

Um desabafo e uma esperança - Parte I

As consultorias em linguagem escrita envolvem muitos aspectos: reflexão sobre o que é escrever um bom texto; trabalho sobre os aspectos textuais; reflexão sobre o papel da escola; questionamento sobre a forma como foi ensinado no passado, na escola; angústias; enfrentamento das dificuldades etc.

Em relação a alguns desses aspectos, veja o texto escrito por uma profissional para quem presto consultorias:

Hoje estava cansada de procrastinar a minha escrita e parei para pensar… Na infância, nunca fui incentivada a escrever textos com base na minha experiência de vida ou com base na minha imaginação. Meus professores ficavam mais preocupados em corrigir as questões gramaticais, ao invés de questionar as razões pelas quais eu havia decidido sobre aquele determinado assunto, sobre determinado argumento ou até sobre os movimentos de reflexões que havia feito para interligar as minhas ideias. Pensar! Simplesmente pensar!!

Um dos pontos mais importantes que deveria ter desenvolvido na época, mas que hoje estou desenvolvendo, é a organização das ideias e dos argumentos. Quais argumentos deverei selecionar? Quais argumentos são mais importantes na ordem cronológica? O que é importante escrever na introdução que me permitirá fazer as conexões necessárias?”

… continuação na parte II

Escrita & dor

Em um atendimento desta última semana, ouvi o seguinte relato:
Carla, tenho medo da dor. E, para mim, escrever é dolorido(…). Mas escrever junto com você tem me ajudado”.

Tenho pensado muito na importância da escrita conjunta, aquela em que atuamos/intervimos no momento em que a escrita do outro acontece, no instante em que o texto é produzido. No caso dessa profissional, a escrita realizada dessa maneira lhe proporciona maior tranquilidade e segurança. A escrita conjunta também minimiza a sua dor.

Como está a argumentação nos textos que você produz?

Em nosso dia-a-dia estamos cercados de situações em que necessitamos escrever um texto para convencer alguém a respeito de algo.

Compare os textos a seguir. Qual deles é mais “poderoso” para convencer o leitor? Aponte as razões de sua escolha com base nas marcas linguísticas* do texto e no objetivo visado.

Contexto de produção: uma aluna do curso de pós-graduação (mestrado) em Engª. Agrícola de uma Universidade deseja fazer sua inscrição para o processo seletivo do doutorado/2009. Uma das exigências da secretaria responsável por receber as inscrições é que o candidato já tenha concluído o mestrado (defendido a dissertação), o que não é o caso da referida aluna, cujo trabalho está em processo de finalização. Sendo assim, seu professor (orientador) sugere que escreva uma carta à secretaria (que, posteriormente, seria assinada por ele), solicitando a aceitação dos documentos para inscrição do doutorado/2009. A aluna escreve uma versão. Em seguida, solicita algumas sugestões a mim.

Uma possível versão (escrita pela aluna):
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Você & a escrita: uma nova relação

Tenho pensado bastante na função social da escrita, no que fazemos através dela, no que a escola nos fez pensar sobre ela e na nova relação que podemos estabelecer com ela. Gostaria de compartilhar isso, tomando alguns trechos do livro “Lutar com Palavras: coesão e coerência”, de Irandé Antunes.

“Usar a linguagem é um ato social, é um ato histórico, político (…)”. Tal uso adequado, porém, não é possível na base do que é certo ou do que é errado, como reforçado pela imprensa, pelas escolas etc. Questões do tipo “o que é certo” e o “que é errado” “não requerem um conhecimento mais relevante de como fazemos, por exemplo, para organizar um texto em função de: defender um ponto de vista, um princípio teórico; orientar uma argumentação; fazer uma ressalva; apresentar uma justificativa (…) etc. Essas, sim, são habilidades “muito mais úteis socialmente, na vida de cada cidadão”.

Sabe, leitor, a escola nos ensinou a escrever para um único leitor: o professor. Ensinou-nos a escrever sem termos uma razão, de fato, para escrever; uma escrita que não produzia qualquer efeito sobre as pessoas ou situações do nosso dia-a-dia. Escrevíamos por obrigação, para obtermos uma nota. Escrevíamos para nada e para ninguém. Temos visto, porém, que a escrita é para interagir, para intervir em uma dada situação, para defender um ponto de vista, para informar, para se divertir etc. Hoje escrevemos por uma razão e para alguém; escrevemos e temos um retorno de nosso leitor; hoje escrevemos e influenciamos a sociedade em que vivemos; hoje a escrita tem sentido para nós.

Sentido e revisão do texto: teste suas habilidades

Já pensou se você, ao enviar um importante e-mail para seu chefe, escreve, em alguma parte do texto, ”fezes” em vez de “vezes”? Pois é… esse caso aconteceu mesmo! A pessoa que escreveu foi a mesma que relatou o fato. A despeito do fator que motivou o “erro” (sobre isso podemos falar depois), a questão é: será que o texto foi lido e relido após ser escrito ? Essa foi a pergunta feita por mim. A resposta? ”NÃO, Carla. Eu queria logo me livrar daquele texto… Aí, depois que já havia enviado vi a besteira que fiz. Estou morrendo de vergonha“.  

Reler o texto antes de enviá-lo a alguém ou publicá-lo em algum lugar requer o exercício da paciência, disciplina e dedicação de um tempinho a mais, algo difícil nos dias de hoje. Por isso, não raras vezes observamos alguns probleminhas de sentido, por exemplo, nos textos que lemos. Veja o que foi publicado no Jornal Folha de São Paulo, servindo como questão de prova da Unicamp/2003:

O Partido X dedica-se a essa atividade mais do que nunca. Ocorre que ainda está longe do desejado, seja por falta de vontade, de vocação ou de incapacidade do partido. Entre outras razões, é por esse motivo que o dólar sobe.

A pergunta foi a seguinte: o final da seqüência “seja por falta de vontade, de vocação ou de incapacidade…” apresenta um problema de coerência, que pode ser eliminado de duas maneiras. Quais são essas duas maneiras?

E você, já sabe a resposta? Envie seu comentário a respeito!  

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Vincius Vasco: Hahahah. Pobre moleque. Gramatica, estática ou elástica, não há prática enfát...
Manoel: Professora,estimular a produção de textos na escola tem sido tarefa árdua, mas não de...
virginia: As cadeias já estão super lotadas;com a redução da maioridade penal ficará de fora os...
virginia: Boa noite professora!A charge acima citada sobre redução da maioridade penal;expressa...
marluci m do rosário: Sou estudante do curso de Letras na ufpa(pará). Estou no início do curso,mas mudando...
Carla Queiroz Pereira, mestre em Lingüística/área Neurolingüística pela Unicamp, presta consultoria em linguagem escrita a profissionais e estudantes, ministra palestras e cursos com temas voltados às questões lingüístico-cognitivas e prepara candidatos a concursos públicos para enfrentarem as questões de interpretação de texto.

carla@aescritanasentrelinhas.com.br