Copa do mundo
Charge de J. Bosco,
Jornal O liberal
Charge de J. Bosco,
Jornal O liberal
“Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável. O país está sendo varrido por fortes ventos. Máxima de 38º, em Brasília“.
Pelo que conhecemos da leitura de jornais, que tipo de notícia é esta? Informação sobre o clima, certo? Errado. Só parece!
No dia 14 de dezembro de 1968, durante a ditadura no Brasil (1964-1985), foi anunciado o Ato Institucional núm. 5, que representava um endurecimento do regime militar. O Ato conferia enormes poderes ao Executivo, decretava o recesso do Congresso Nacional, proibia manifestações políticas e colocava fim à liberdade de imprensa.
Assim, o jornal do Brasil arriscou uma primeira página corajosa na edição de 14/12/68, conseguindo burlar a censura (Mayrink, 2008)*. No lado esquerdo da primeira página, no alto, o quadradinho trazia o texto que foi apresentado no início deste post. Fantástico o que podemos fazer com a linguagem. Podemos dizer sem dizer, dizer uma coisa para significar outra… Para o contexto político da época, a informação não tinha nada a ver com o clima.
* Mayrink, J. M. Mordaça no Estadão. São Paulo: O Estado de São Paulo, 2008.
A gripe suína tem sido muito útil a mim.
Hoje recebi o seguinte e-mail:
GRIPE SUÍNA:PERGUNTAS E RESPOSTAS
1. Quanto tempo dura vivo o vírus suíno numa maçaneta ou superfície lisa?
Resp.: Até 10 horas.
2. (…)
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15. Qual é a população que está atacando este vírus?
Resp.: De 20 a 50 anos de idade.
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Considerando o que sabemos sobre a gripe, qual o problema da 15ª pergunta? O que o autor do texto realmente quis escrever? Como pode ser reescrita a pergunta de maneira a desfazer o problema?
Charge publicada no Jornal O Povo (Ceará)
Analista Administrativo – MPU/2007 (FCC)
A) No que tange à elaboração das bases das experiências de vida, o ocidente se diferencia de outras partes do mundo. Enquanto nessas há somente influência das tradições étnicas e locais, bem como dos sistemas religiosos, naquele, a prática de pensamento na função de elaborar tais bases é a ciência, somada às tradições étnicas, locais etc.
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Comparando-se o texto com a figura acima apresentada, é incorreto afirmar que ambos abordam
A) a associação da infração à lei com as tecnologias atuais.
B) a total indiferença dos que assistem a um delito praticado na rua.
C) formas de controle dos indivíduos.
D) outra face das novas tecnologias.
Dê sua resposta e tente justificá-la com base na charge apresentada!!!
Olá, pessoal!
Há algum tempo postei esta charge. Eis aqui meus comentários enviados àqueles que se propuseram a explicar a interpretação dada por uma profissional de Comunicação Social, isto é, de que a mulher ilustrada na charge não sabia o significado da palavra penhor e, por isso, levou o arroz para ser penhorado:
Assim como as piadas, as charges são textos humorísticos que requerem a mobilização de conhecimentos prévios para que seja possível a interpretação. Que conhecimentos prévios são esses? Conhecimentos de fatos que circulam na sociedade, de questões culturais e ideológicas etc. Um exemplo: na piada “feliz foi Adão que não teve sogra”, NÃO HÁ COMO INTERPRETÁ-LA E RIR DELA sem o conhecimento de quem foi Adão, na história (o primeiro homem), de quem foi Eva (a primeira mulher), de que sogra é a mãe da mulher ou do homem com quem se é casado e, ainda, de que ter sogra, em nossa cultura, é algo ruim. UFA!!!
Esse simples exemplo (que não é um texto simples) nos mostra que a linguagem não é um código. Na piada, os sentidos foram veiculados, mesmo sem estarem codificados, entende? Conceber a língua como um código é assumir que o conteúdo semântico está integralmente explicitado por estruturas sintáticas (Coudry & Possenti, 1993), o que não é verdade. Mas isso é um papo para depois, ok!? Continuemos na charge…
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Há um monte de gente buscando uma relação direta entre as palavras e os objetos no mundo; pensam que a palavra deve (ou deveria) representar o mundo, como um espelho. Por não poder ser esse espelho da realidade, muitos dizem ser a língua imperfeita. Sem comentários…
Pois digo: por tal “imperfeição” (como dizem alguns) é que podemos interpretar, por exemplo, expressões idiomáticas como “chá de cadeira”, piadas, charges etc.
Que razão teria a existência da charge aqui apresentada se não pudéssemos conhecer o sentido de certa expressão e sua relação com o que foi recentemente noticiado na imprensa?
A propósito, você consegue explicar o sentido da charge?