Tem gente que sabe dizer o que quer escrever, mas só consegue dizer; tem gente que escreve para o leitor adivinho; tem aqueles que acham difícil organizar as informações; há ainda os que escrevem, não convencem, e pensam que o texto ficou ótimo; outros tentam impressionar com palavras “difíceis”. É... escrever um bom texto não é fácil. Mas tem gente que aprende a escrever melhor, seja um relatório, projeto, e-mail para tratar de negócios ou um simples bilhete.

Alguns dias de férias: lições

Olá, Pessoal!

Desde o último 30 de dezembro estou em São Lourenço-MG curtindo a família, a natureza, o clima ameno e os atrativos da cidade. Aqui é muito gostoso… Estou impressionada com a riqueza de águas na região. Já tinha ouvido falar, mas estando aqui a sensação é outra. No Parque das Águas - uma das atrações turísticas da cidade - há várias fontes de água mineral. É incrível… você vai andando pelo parque… parando de fonte em fonte… Experimenta uma água aqui, outra ali… comenta com os familiares sobre o sabor da água… admira a natureza… pensa sobre ela e percebe a necessidade de preservá-la. 

 

Parque das Águas - Fonte Ferruginosa

No Brasil há, sim, abundância de água, mas o homem não a tem preservado. Vi isso claramente quando estive em Caxambu, cidade bem próxima daqui de São Lourenço-MG. Lá também há um parque cheio de fontes de água mineral. As fontes jorram água de dia e de noite… o tempo todo. Lá, conversando com um funcionário do parque, fiquei sabendo que a água mineral tem sido utilizada para vários fins: não somente para beber, mas também nos banheiros, para uso da descarga etc., vocês acreditam? Perguntei também qual era a destinação daquela água que jorrava o tempo todo. Disse-me que era lançada em um rio da cidade, já poluído pela população e pelas indústrias. Fiquei chocada.

É desesperador ver as pessoas tratarem a natureza como eternamente à disposição, independentemente do tratamento dado a ela. Fico espantada com o desprezo do homem diante de um bem que garante sua própria sobrevivência e a das futuras gerações.

Bem… é isso. Precisava deixar aqui a minha impressão, afinal, a escrita também nos é útil para a informação e divulgação do conhecimento.

Na próxima segunda-feira, dia 5, já estarei de volta. Vamos falar um pouco sobre a reforma ortográfica, ok!? Também preciso me acostumar com ela e colocá-la em prática, pouco a pouco.

Acho demais esse texto!!!

 

Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxaguam, dão mais uma molhada, agora jogando a água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar.

Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.

Graciliano Ramos.

Os Pronomes Pessoais e as Variações em Uso

Outros profissionais da área de Letras e Lingüística também estão escrevendo neste blog. O texto a seguir, por exemplo, escrito por Mara Lúcia Fabricio de Andrade - mestre em Lingüística e Língua Portuguesa pela Unesp e doutora em Neurolingüística pela Unicamp - mostra o desuso das formas “vós” e “tu” (ao menos na região de SP) em relação ao uso de formas como “nós” e “a gente”.
Só para terem uma idéia, vejam o
levantamento quantitativo das formas pronominais tu/você, nós/a gente, vós/vocês

É muito interessante. Não deixem de ler o artigo “Os Pronomes Pessoais e as Variações em Uso”.

texto-da-mara-para-o-blog-1812

Para quem quiser falar com autora, o e-maill é: mlfandrade@hotmail.com

TRT-2ªRegião (Téc. Jud.): comentários das questões de interpretação

Olá, colegas “concurseiros”!

Recebi alguns e-mails de candidatos que prestaram o concurso do TRT-2ª Região (Técnico Judiciário/área administrativa), solicitando comentários das questões de interpretação do segundo texto da prova (aquele sobre conflito público de opiniões, pesquisa de opinião…) elaborada pela FCC (Fundação Carlos Chagas). Então, vamos lá! Por enquanto, apresento comentários das questões 12 e 13 (numerações das questões apresentadas na prova “Tipo 002”), ok!?

O texto apresentado trata de um tema mais familiar aos profissionais da área de Comunicação Social, uma possível razão para a queixa dos candidatos de que o texto estava difícil. Aliás, as bancas têm feito isso: apresentam um texto com tema muito específico – antropologia, filosofia etc. – na tentativa de assustar os candidatos e fazer com que gastem preciosos minutos na busca pela atribuição de sentido, linha por linha, palavra por palavra. É claro, durante a leitura de qualquer texto somos guiados pelo sentido daquilo que lemos, mas a questão é: será que a banca quer que eu compreenda plenamente o texto lido? Quando vamos às questões de diversas provas, percebemos que não estão exigindo que o candidato atribua sentido a todo o texto, mas somente que ele demonstre saber estabelecer relações de sentido entre uma parte e outra (vou explicar o que é isso ao comentar as questões). …

Veja o arquivo por completo:

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Cursos na Editora Segmento

por Carla Pereira em Diagnósticos & Escrita

A Editora Segmento oferecerá três cursos no mês de janeiro. Veja os temas:
- Oficina para revisor;
- Análise e planejamento de textos;
- Revisão gramatical avançada.

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Processamento Auditivo: ouvindo mais outras fontes

por Carla Pereira em Diagnósticos & Escrita

O que tem sido entendido por “compreensão” nos textos escritos por fonoaudiólogos, otorrinolaringologistas e neurologistas? Há algo a ser questionado em relação às associações feitas entre Desordem do Processamento Auditivo*e Linguagem (Auditory Processing Disorders and Language)? O que um histórico sobre os testes de processamento auditivo “revelam” sobre sua validade para fins de diagnóstico?

Essas são algumas questões que apresento em um capítulo de um livro ainda não publicado (não sei qual será seu título). Ainda assim, gostaria de compartilhar um pedacinho do texto (quem sabe… dois) com aqueles que têm uma “pulga atrás da orelha” sobre o tema, mas que ainda não tiveram coragem de escrever sobre. Na verdade, gostaria de já publicar as 22 páginas que escrevi, mas não posso, óbvio.

Homens e mulheres de toda a terra são dotados de um patrimônio comum: um mesmo conjunto de estruturas e funções cerebrais (MECACCI, 1987), mas com uma variada organização funcional, conforme as diferentes experiências que vivenciam. A organização funcional do cérebro está, pois, estritamente relacionada aos aspectos culturais e sociais. Aplicando-se esse fato à percepção dos sons e à compreensão do que ouvimos, observa-se que as percepções e compreensões de uma pessoa podem não ser equivalentes às de seu interlocutor, considerando-se que muitos fatores - os sistemas de referência, o contexto, o conhecimento partilhado entre os interlocutores, o conhecimento de mundo, etc. - estão em jogo na tarefa de compreender, conforme alguns exemplos expostos neste capítulo. Em um deles vimos que o enunciado “açúcar mascavo”, dito pela mãe de duas crianças, foi entendido como “açúcar mais caro”, por uma delas, e como “açúcar mascado”, por outra, pois a palavra “mascavo” ainda não faz parte do sistema de referências de tais crianças em processo de aquisição da linguagem. Compreender, portanto, não é decodificar e, durante a audição, sempre haverá a busca pelo sentido. Não sendo a compreensão uma mera decodificação, não separamos, pois, a linguagem da percepção/audição; não separamos as experiências que vivenciamos do que percebemos via audição.

(…)
Toda afirmação que envolve linguagem e cérebro de um sujeito particular requer cuidadosa análise, levando em consideração a complexidade de ambos. A falta de conhecimento sobre o complexo funcionamento da linguagem, bem como sobre a dinâmica da atividade cerebral por parte de profissionais da saúde, pode levar a afirmações equivocadas a respeito das crianças que aprendem, o que traz conseqüências para a vida delas e de seus pais (…).

*Para quem ainda não ouviu falar sobre o assunto, Processamento Auditivo é um tema difundido entre profissionais da área de saúde e educação, e tem sido relacionado à escrita, à leitura etc. De que forma? Alguns testes (de processamento auditivo) são aplicados e, dependendo das respostas recebidas, os sujeitos sob teste recebem o diagnóstico de desordem do processamento auditivo. Tal diagnóstico acaba justificando, não raras vezes, as supostas dificuldades de escrita e/ou compreensão/interpretação. Falando assim parece que é simples… parece que não há muitos problemas com isso… Será?

Vale ressaltar que a escrita do capítulo somente foi possível pelos conhecimentos adquiridos no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp, instituição em que cursei o Mestrado na área de Neurolingüística, sob orientação da profª. Maria Irma Hadler Coudry (Maza). Mais uma vez, Maza, obrigada!

Ortografia nas estradas da vida

por Carla Pereira em Lingüística & Língua Portuguesa

Um site na Internet mostra textos escritos em portas de bares e restaurantes, em paredes, muros etc. Muitos representam verdadeiras “pérolas” do ponto de vista do funcionamento da linguagem e de nosso sistema de escrita, conforme vemos a seguir. Placas como essas podem ser usadas em sala de aula, a fim de tornar o ensino de língua portuguesa agradável e curioso. Mas lembre-se: o ensino de Língua Portuguesa não se restringe ao ensino de gramática e ortografia!

Crise… trabalho… demissões

Fonte: Super Notícia (MG)

CESPE - TJRJ - Técnico de Atividade Judiciária - questão comentada

Tenho recebido alguns e-mails com perguntas sobre “dêixis”, “dêiticos”.
Um deles trouxe a seguinte questão do CESPE:

Sabemos que a ferramenta súmula vinculante é poderosa, mas o enunciado tem de ser muito claro e preciso para que os resultados sejam os melhores. Ao tornar-se obrigatória não apenas para as diversas instâncias do Poder Judiciário, mas também para a administração pública, muita boa súmula pode de fato diminuir o número de processos. Na medida em que vincula o poder público a um certo entendimento em questões tributárias ou previdenciárias, por exemplo, ela diminuirá os casos em que o contribuinte sentirá necessidade de recorrer à justiça. Gostaria de ressaltar que a súmula vinculante também aumenta a segurança jurídica. Acabam aquelas situações em que, em um mesmo assunto, um cidadão recebe uma sentença e o seu vizinho, a sentença oposta.

QUESTÃO 9

Assinale a opção em que a forma verbal está empregada em função de dêixis, por referir-se ao sujeito autor do texto.

A) “tem de ser”

B) “tornar-se”

C) “vincula”

D) “gostaria”

E) “recebe”

COMENTÁRIO

No texto a seguir, utilizo um nome próprio (Richard) que não guarda qualquer relação com o candidato que enviou o e-mail.

Eis aqui o comentário:

Comecemos com um exemplo:

Suponha que eu diga a você: “então, Richard, ele esteve em minha casa hoje”. Certamente, você me olhará com “aquela” cara e dirá: “Carla, tudo bem, mas quem esteve em sua casa?”. Portanto, Richard, só dá para você saber quem é esse “ele”, se antes do enunciado dito por mim, tivermos falado sobre alguma pessoa (o Paulo, o Fábio, o Adão etc.). Isso significa que “ele” é interpretado deiticamente, depende de outra informação, depende da referência. No caso, se não tivermos o Paulo, o Fábio ou o Adão como referência, “ele” é uma palavra que não tem como ser interpretada.

Clique no link abaixo para ver todo o comentário da questão.

comentario-da-questao-cespe2

FCC/TRT (Téc. Judiciário): o que você achou do 2º texto da prova de português/interpretação?

Vejam o e-mail que recebi de um “concurseiro”:

“Ainda ontem prestei, em São Paulo, o concurso do Tribunal Regional do Trabalho - TRT 2ª Região - para o cargo de Técnico Judiciário. Acontece que não fui bem, assim como muitos, devido a um texto (o segundo texto da prova) difícil de ser compreendido, que virá a ser publicado na próxima sexta-feira, dia 21/11, no site da organizadora FCC - Fundação Carlos Chagas. Pensei, então, se eu poderia enviá-lo a você (tão logo ele seja publicado) para que desse uma lida, pois gostaria de saber sua opinião a respeito do nível dele, no que se refere à sua interpretação / compreensão. Pensei, também, o quanto poderia ser interessante pra você comentar a respeito dele no seu blog, caso queira”.

Minha resposta? Comentarei, sim, claro.
Só peço que esperem um pouquinho, pois quero comentar todas as questões relativas ao segundo texto da prova.

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Carla Pereira: Oi, José! Um ótimo ano de 2009 para você também!!! De fato, que eu possa viver deb...
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Carla Queiroz Pereira, mestre em Lingüística/área Neurolingüística pela Unicamp, presta consultoria em linguagem escrita a profissionais e estudantes, ministra palestras e cursos com temas voltados às questões lingüístico-cognitivas e prepara candidatos a concursos públicos para enfrentarem as questões de interpretação de texto.

carlaqueirozpereira@yahoo.com.br